Uso de dados para tomada de decisões

Duas plataformas que fornecem informações para subsidiar tomadas de decisões foram apresentadas durante a 6ª Feira de Soluções para a Saúde na manhã de terça-feira (28/11). A primeira, a Plataforma de Inteligência Cooperativa com a Atenção Primária à Saúde (Picaps), fruto de parceria entre a Universidade de Brasília (UnB) e a Fiocruz Brasília, surgiu no contexto da pandemia de Covid-19, inicialmente para dar suporte aos mais de 200 residentes da Escola de Governo Fiocruz-Brasília que atuaram nos territórios do DF no enfrentamento da pandemia, para que se tornassem multiplicadores das soluções identificados pelas evidências científicas.

O objetivo é a construção coletiva de respostas às emergências de saúde pública (epidemias, desastres e desassistência), a partir de tecnologias digitais e infraestrutura de suporte às pessoas e às unidades de saúde. Os resultados permitiram ampliar a atuação e a Plataforma passou a oferecer suporte aos quase 33 mil gestores e profissionais de saúde, além de construir redes de respostas rápidas entre pesquisadores, profissionais de saúde e comunidade.

“A plataforma trabalha com a ideia da transformação digital e tem os dados como elemento fundamental”, explicou Wagner Martins, coordenador da Feira e de Integração Estratégica da Fiocruz Brasília. Ele defende que a saúde produz dados que precisam ser processados, trabalhados e monitorados para o melhor direcionamento de recursos. “É um espaço de interação de ferramentas e instituições para a construção conjunta e geração de conhecimento para enfrentar as iniquidades em saúde nos territórios”, completou.

O projeto une a pesquisa básica e aplicada, a sociedade e a prática social para a construção de redes que geram conhecimento para o avanço da transformação digital e está apoiado em quatro eixos: Inovação Social pelo Radar de Territórios do Distrito Federal; Inovação Educacional pela Teleorientação; Inovação em Serviços pela Inteligência Epidemiológica; e Inovação Digital pela Transformação Digital e Saúde Digital.

Nas salas de cooperação social, os participantes têm acesso a formação e integração de dados do território à disposição nas salas virtual e presencial para discutir as ações de atuação, as ameaças, vulnerabilidades e potencialidades da comunidade.

A plataforma reúne ainda mapas, gráficos e informações dos locais, localização de UBS, dos pontos de apoio, dos residentes e de pacientes infectados por Covid-19. Vinte pesquisadores populares foram formados no curso de Formação de Pesquisadores Populares em Governança Territorial para o Desenvolvimento Saudável e Sustentável do Sol Nascente e Pôr do Sol e vão monitorar e avaliar as vulnerabilidades sociais e territoriais. Os dados auxiliam a tomada de decisões.

A expectativa é que seja criada uma Rede Nacional de Radar de Territórios Saudável e Sustentável com dados de localidades de todo o Brasil que sirvam de base para desenvolvimento tecnológico para uma saúde pública de precisão e acompanhamento dos territórios. “A saúde pública de precisão potencializa a ciência aberta e envolve toda a sociedade”, afirmou Wagner Martins.

A coordenadora de Informação e Comunicação da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Vanessa Jorge, falou sobre o Observatório em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, que busca dar transparência às informações estratégicas para a gestão em pesquisa e desenvolvimento tecnológico da Fundação e contribuir com a formulação de políticas institucionais em ciência, tecnologia, inovação e educação.

Os dados se referem às atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e educação desenvolvidas pelas unidades da Fiocruz e são analisados e estruturados, em acesso aberto, e em seguida disponibilizados no site em formato de painéis. É possível consultar os indicadores da produção científica, de fomento à pesquisa, os grupos de pesquisa da instituição, além do perfil dos servidores.

A coordenadora de Cooperação Técnica Nacional na Fiocruz, Claudia Martins, mediadora do seminário, destacou que os dois projetos permitem a produção de conhecimento e a disseminação para a tomada de decisão em relação à gestão da ciência e tecnologia institucional, além do compartilhamento de informações e o poder de transformar situações complexas. Para ela, a Picaps permite a promoção de ambientes de inovação e que desenvolvem condições para a saúde e qualidade de vida da população brasileira.

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